Começamos nossa série falando sobre os culturetes, seres que, se odeiam futebol, têm bons motivos para tal.
Mas o tipo que mostraremos hoje é daquela laranja podre; não tem boas razões para detestar o futebol, mas mesmo assim destrói o que está à sua volta. Estou falando do fanático.
O fanático, ou hooligan, se preferir, como nos diz o queridíssimo Aurélio em sua segunda definição é aquele “que adere cegamente a doutrina ou partido”. Ora vamos, desde quando um time de futebol pode ser considerado doutrina ou partido? Bem, talvez desde épocas em que você, ilustre leitor, nem imaginava que iria nascer. Como no caso da fundação do Palestra Itália, que dizem por aí ser dissidência política do Corinthians. Há ainda o caso do São Paulo, que tentou extinguir e desapropriar o mesmo Palestra, em épocas de Segunda Guerra Mundial. Mas isso é história para outra ocasião.
Posto que um clube possa ser um partido ou mesmo uma religião, caso do Flamengo, há a plausível chance de formarem-se hordas revolucionárias em torno dele. O problema das revoluções desses grupos é o resultado: você, pobre mortal, vendo o jogo pela televisão.
O fanático não gosta de futebol. O fanático não se importa se o jogador de sua representação fez um belo gol ou se jogou boa partida. O fanático, em qualquer nível, importa-se apenas em humilhar o adversário. Se seu time perde dentro de campo, o fanático trata de ganhar fora dele. Leia o artigo de Humberto Luiz Peron na Folha Online e entenda melhor como esse tipo consagra o ódio ao futebol em si (Aliás, foi lendo esse artigo que tive idéia para escrever este post). Um indivíduo que não reconhece uma jogada magistral do adversário, que aceita roubo de arbitragem e jogo violento, que acha que deve partir para cima de quem não partilha de seu fanatismo só pode detestar o futebol.
Um exemplo do ódio ao futebol é o fechamento da Geral do Maracanã. Não apenas para atender a novas exigências de mercado (a FIFA exige que haja cadeiras para todos os torcedores e que ninguém fique em pé assistindo a uma partida), mas porque ocorriam arrastões no local, o símbolo da alegria da torcida carioca acabou. Lembro-me ainda como era divertido ver torcedores antigos, fantasiados e que não ligavam para uma derrota, queriam apenas brincar. Agora restam-nos os fanáticos, que encontram lugar para sua violência em outras partes dos estádios. O fim dos geraldinos é um sinal dos tempos no futebol.
Concluindo, o que temos hoje são clubes sucateados, que atendem a interesses distantes dos esportivos; jogadores sem comprometimento, cuja integridade das canelas vale mais que a excelência de seu desempenho; batalhas campais pelos domínios territoriais dos estádios e cercanias; e uma torcida distante de sua equipe. Obviamente, tudo está relacionado e parece ser o padrão do futebol pós-milênio no Brasil.
É, amigo, estamos ficando velhos e ultrapassados.
Saiba mais sobre o fechamento da Geral do Maracanã:
Esportes Terra
Jovem Pan
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