18 Sep
Escrito por garciasales como Brasil, arbitragem, chute, terça, vídeo
O fato mais comentado da rodada foi o ocorrido no clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro. O placar marcava 4 a 3 para o Cruzeiro, num belo jogo, marcado pelas sucessivas viradas.
Até que o jogador Kerlon do Cruzeiro fez seu famoso drible da “foquinha”. Lance genial, pena que com um desfecho triste. Coelho para a jogada com violência e começa a briga generalizada.
Você viu no vídeo que o juiz Evandro Rogério Roman, Doutor em Educação Física, agiu rápido; separou Coelho da confusão e aplicou o chapolim nele.
Esse é um típico lance que tira-teima não resolve. Precisa de um árbitro competente para dirimir as subjetividades de cada lance. O problema de tira-teimas, é que justamente o juiz não pode utilizar o recurso a seu favor e, ao incorrer em erros, fica desmoralizado (estou falando dos que não fazem esquemas, é claro) (eles ainda existem).
Concluindo que um jogo de futebol necessita do fator humano não-técnico emocional para o seu bom andamento, como essas entrelinhas devem ser lidas?
Em minha opinião, Roman agiu corretamente, expulsando apenas o agressor, e não o suposto provocador. Porque não houve provocação. Kerlon utilizou uma técnica que conhece para poder chegar facilmente à área e tentar o gol. Era bem provável que esse lance fosse parado por falta, mas não com tamanha violência.
Mesmo vendo essas circunstâncias, muita gente ainda reclamou da provocação. Leão ainda rogou praga no rapaz, disse que se ele continuar com essas firulas, a carreira dele pode ser abreviada pela ira de algum adversário.
O jogador Kleber do Santos acrescentou no “Bem, Amigos” da SporTV (atenção, os links da Globo expiram!) que a jogada de Kerlon não é do tipo que se faz num zero a zero, mas sim num final de partida, com a vitória assegurada, o que seria o caso do jogo em questão. Eu acho que o Kleber tá é querendo garantir o dele, se alguém vir com driblinho e ele fizer uma falta violenta, terá sido coerente. Assim como aqueles que não condenam uma furadinha alheia de fila, já que poderão ser os próximos a fazê-lo.
A verdade é que o Kerlon tem uma habilidade rara no futebol atual, e como ainda não atingiu o status de um Ronaldinho Gaúcho, tem que agüentar desaforo. Aí entra o papel do juiz, não só o de preservar o andamento tranqüilo de um jogo, mas também de preservar a possibilidade de um torcedor assistir a belas jogadas.
Se você quer ver o que um juiz deve considerar provocação mesmo, lembre das embaixadinhas do Edílson:
Circunstâncias totalmente diferentes, o Corinthians já estava com as mãos na taça na final do Paulistão 1999 contra o Palmeiras. Chegou na lateral do campo e começou a fazer gracinhas para a torcida. Eu ri muito na ocasião, mas isso é anti-jogo. Feito claramente para enervar o adversário e sem visar o objetivo do futebol, que é o gol. Edílson conseguiu, levou um chute de Paulo Nunes e começou a guerra em campo. Paulo César de Oliveira, na época considerado um Lewis Hamilton da arbitragem, fora obrigado a encerrar a partida.
Árbitros: vocês não têm que temer o tira-teima enquanto souberem o que é futebol-arte e souberem tomar o controle, antes que a violência predomine.
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